Agora na Íntegra! Entrevista de Henry Cavill para Rake Magazine

Há algumas semanas atrás, postamos a prévia da entrevista de Henry Cavill para a Rake Magazine, e agora temos o conteúdo completo para você!

Na entrevista, Henry Cavill fala sobre sua vida escolar, suas causas sociais, a importância de vestir o traje do Superman, o universo cinematográfico da DC, conta sobre seu novo filme Missão Impossível 6, um possível Agente da U.N.C.L.E.2, além de comentar sobre o biotipo de sua família, seu vestuário, a importância de seu cachorro Kal em sua vida e, também, o quanto ele não quer ser uma decepção para seu público.

Mas não é só nosso Superman que deu o ar da graça, mas o Batman Ben Affleck também conversou com a revista. Ele elogiou Cavill e contou o que acha do pequeno Ben o morcego (Ben the bat), que ganhou o nome em sua homenagem.

Leia tudo na íntegra e traduzido, e não deixe de comentar.

JUSTIÇA POÉTICA: Henry Cavill

Superman está de volta – e Henry Cavill também, o cavalheiro britânico por excelência, se tornando o próprio ícone americano. Cavill fala com nosso editor sobre patriotismo, os perigos de Hollywood e porque o alter ego de Clark Kent é o herói que precisamos nesses tempos confusos.

É preciso um Britânico para interpretar o herói mais saudável, bonito e super-humano dos Estados Unidos. Superman é para o mundo dos quadrinhos o que Winston Churchill é para os políticos: Não necessariamente o favorito de todos, mas amplamente o mais reconhecido como o primeiro entre os iguais (primus inter pares). Umberto Eco disse que Superman pode “ser visto como o representante de todos seus semelhantes”. Ele é a encarnação do bem contra o mal, um imigrante que traz luz para um mundo novo, um homem cinza (nome que se dá a uma pessoa discreta que passa despercebida no meio da multidão) * demonstrando que somos mais do que está na superfície, e que todos nós, por mais forte que sejamos, temos fraquezas. Ele é uma parábola para tudo, desde a história de Moisés até uma caracterização do estilo americano de vida. Suas encarnações na tela podem ser vistas como uma comercialização da lenda ou nossa sede inextinguível de um messias de uma forma ou outra.

Henry Cavill não é exatamente alguém que passaria despercebido na rua. Ele tem características clássicas, um maxilar forte e maçãs do rosto (nesse momento, um pouco mascaradas por um bigode, para seu papel em Missão Impossível 6), o físico de uma estátua romana e, ao contrário de muitos dos seus contemporâneos, alto. O mesmo também pode ser dito pela sua entrada em uma sala. A sua chegada em um dos clubes mais nobres de Londres, Mark’s, onde nós passamos o dia falando sobre os Royal Marines, rugby, animais resgatados e seus instintos libertos com a Arte Sartorial, havia aquele raro senso que você tem desses homens como Henry, que se impõem sem serem intimidadores, que você pode encontrar a pessoa mais desconfortável na sala e deixá-los à vontade. Sua checada com seu cão que parece um urso, o Akita chamado Kal (nome dado em homenagem ao nome real do Superman) ajudou, é claro. Enquanto Kal estava em frente as lentes (extraordinariamente fotogênico) em nosso ensaio fotográfico, Henry e eu aproveitamos a oportunidade para conversar.

Como você saberá, querido leitor, o império britânico, que já dominou mais de um quarto do globo, agora é constituído por olhares dispersos de forma aleatória. Uma das mais próximas da Grã-Bretanha é Jersey, e essa ilha é a ancestral do astro da nossa capa. Jersey sempre teve uma conexão francesa, mas a família Cavill está ciente e orgulhosa de suas raízes continentais. “Meus pais me criaram e a todos meus irmãos como britânicos, muito britânicos”, diz Cavill. “Minha mãe é escocesa e irlandesa, e meu pai é inglês. Sempre foi uma questão orgulhosa ser britânico. Não se trata de virar o nariz para o resto do mundo, é só que somos uma ilha que, apesar de todas as probabilidades, conseguiu sobreviver a todos os outros impérios da história e se tornou o maior império em si, e ainda sobreviveu para virar um poder mundial. Eu acho que meus pais apenas colocaram isso em mim para me orgulhar e eu me orgulho.” Essa é uma postura fora de moda, em um mundo que o patriotismo e o racismo é facilmente vinculado, onde assistir o The Proms ( * festival anual de oito semanas de concertos de música clássica que se acontecem no Royal Albert Hall em Londres) ou cantar o hino nacional com entusiasmo é um prazer secreto, para que não seja zombado. A conta do Instagram de Cavill, onde ele criou posts interessantes para desejar ao time de rugby British e Irish Lions boa sorte, mostra que ele não está falando da boca pra fora.

Henry credita a um forte senso de família, patriotismo e irmãos com quem ele continua próximo, por fazer com que ele continue com os pés no chão “Eu tenho irmãos que vão felizmente me matar, quando necessário“, diz ele. “Eles sempre foram muito diretos”. Considerando que um de seus irmãos é um tenente-coronel dos Royal Marines, isso não é difícil de acreditar.

Henry foi para a Stowe, uma escola pública de prestígio e incrivelmente bela em Buckinghamshire, sul da Inglaterra. O tempo de Henry lá foi muito problemático. Ele era intimidado e provocado, ganhando apelidos como “Cavill Gordo”. Piorou quando a escola (em um capricho particularmente ingênuo de algumas escolas privadas) nos dois últimos anos se tornou mista. Aqui Henry teve uma dura lição sobre como uma convergência entre os sexos durante a adolescência, pode ser um momento brutal. “Colocar as meninas nos últimos dois anos, foi provavelmente a pior coisa que poderiam ter feito”, diz ele. “O foco sai das lições e você coloca os garotos que estão em uma situação altamente estressante em uma mais estressante ainda, o que não é bom durante os níveis A.”

Foi nesse ponto da entrevista que Henry demonstrou sua habilidade piedosa para a introspecção, dizendo: “Eu olho para trás e penso: Graças a Deus, as pessoas eram tão idênticas para mim na escola, porque me ensinaram muito sobre as pessoas. Assim que as meninas chegaram – e eu não era popular – todos os garotos legais diziam que eu era um bobão. Todas as meninas se viraram contra mim e ai todos os meninos, que eram meus amigos, foram até as meninas. Eu tinha um punhado de amigos, mas realmente me surpreendeu. Era como “Uau, você totalmente se voltou contra mim, para parecer legal na frente dessas meninas”.” Esse hábito, seu auto-pagamento pessoal, surgiu algumas vezes na entrevista: Mais tarde, quando perguntei se a fama e o apetite pelo sucesso ajudou a superar a sensação de não ser aceito na escola, sua resposta foi honesta e analítica. “Sim, tem algo a ver com a escola, definitivamente eu tenho uma sensação de reivindicação”, diz ele. “mas eu tenho lutado com isso, porque é uma coisa baseada no ego, um lado negativo para o ego que, basicamente, não faz nada além de te destruir.” Aqui está um homem que não está interessado em se tornar a vítima ou em ficar se penalizando; em vez disso, que procura crescer diante disso.

Antes do fim de sua educação em Stowe, o interesse precoce de Henry nas artes dramáticas teve uma guinada e ele foi escalado para o papel de Albert Mondego no filme de 2002, O Conde de Monte Cristo. Ele diz: “Tiveram alguns eventos em minha vida que eu senti como, quando eu estava os vivendo, que minha vida mudaria para sempre. Primeiro foi quando fiz O Conde de Monte Cristo, o segundo quando consegui o papel de Superman e o terceiro, foi quando Kal chegou. Eu consegui o papel em O Conde de Monte Cristo quando estava no penúltimo ano de escola. Eu tinha aspiração de ser Líder da Escola, eu queria todas essas colocações porque seria bom pro meu currículo. Eu dei um jeito de chegar a ser Líder de Turma e a prefeito e chefe do exército na CCF (Combined Cadet Force t.Escola de Cadetes ) apesar das chances estarem contra mim porque eu não era popular e haviam garotos que outros votariam antes de mim. Então, durante as férias de verão, eu fui escalado depois de um ano fazendo audições, para o Conde de Monte Cristo. Meus pais, quando estávamos falando sobre a volta ás aulas, disseram “Olha, você tem um trabalho, o objetivo de ir a escola é conseguir um trabalho e uma carreira, você tem falado sobre ir para a Escola de Artes por boa parte do ano e nós estamos tentando convencer você a não ir antes de conseguir o diploma. Agora ocê não precisa nem ir mais a Escola de Artes porque você consegui um filme, uma carreira e um agente, então por que você quer voltar pra escola?””

Ele fez a transição para a carreira sem ter tido muita chance de se familiarizar com Hollywood. Mas esse se acostumou com ela bem rápido, com projetos como Stardust, The Tudors e Imortais. Foi um choque cultural, e apesar da grande gratidão por tudo que tem hoje, ele ainda encontra alguns aspectos negativos. “Há algumas pessoas em Hollywood que vai sorrir na sua cara e te esfaquear pelas costas”, ele diz “Eu acho que isso vem do fato de que ninguém quer te ofender e dizer ‘Você foi horrível naquela audição’. O que permite pouca abertura pros corajosos que ainda há. Eles dizem ‘você foi ótimo’ porque não têm a coragem de falar ‘Não, não foi muito bom, vá e faça melhor na próxima vez’. A natureza do trabalho é complicada. Não é só um negócio, é também negócio baseado em opiniões emoções, então é muito difícil achar um caminho reto no meio disso”.

Em 2013, o mundo conheceu seu novo Superman. Desde o início, Henry entendeu a responsabilidade que vem com o personagem: a consciência cultural coletiva que o Oeste tem do Superman não existe tem em nenhum outro personagem de quadrinhos. Ele diz sobre isso “Por mais que eu gostaria de ter algumas das as características do Superman, por mais nobre que ele seja, eu notei quando estive em Plano {em Illinois, filmando Homem de Aço], eu conheci um veterano do Exército Estadunidense – ele apertou minha mão e ele estava tremendo, e começou a dizer que o que eu estava vestindo era um uniforme e que ele não vestia seu uniforme mas que deveria estar uniformizado para me conhecer. Percebi naquele momento que há uma enorme responsabilidade no personagem, e por mais que eu fosse educado e desse ao homem toda a confiança e conforto que ele precisava, eu percebi que eu precisava fazer aquilo, era de vital importância para a visão de futuro dessa pessoa.”

Ele está agora pronto para encarnar pela terceira vez Clark Kent, em Liga da Justiça. Ele está compreensivamente reticente, já que em sua última aparição em Batman Vs Superman, ele foi em direção à uma heróica morte. Parece que ele fará um retorno triunfante, mas de que forma, foi deixado à cargo da imaginação de cada um. Ele aparece novamente ao lado de Ben Affleck, seu co-estrela, inicialmente adversários nas telas e amigo na vida real, Affleck disse a Rake: “Trabalhar com Henry é muito divertido. Ele é um ator talentoso e um cara maravilhoso. Eu acho que o que mais me surpreendeu foi que nós tivemos a oportunidade de desenvolver uma forte amizade ao longo dos anos – dado que nossos personagens se enfrentam em Batman vs Superman, foi realmente uma surpresa agradável ainda ter risadas nos intervalos dos takes.”

Cavill é similarmente taciturno quanto a sua aparição em Missão Impossível 6 de Christopher McQuarrie, mas parte disso é menos pelo fato do estúdio não ter definido o que pode ser dito ou não e mais por Henry não querer estragar as coisas. “É muito difícil falar sobre [o filme], sendo que é típico dos filmes de Missão Impossível serem bastante ‘fluidos’ em sua natureza. Eles são escritos enquanto nós o fazemos e alguma cenas são regravadas após novas idéias e novos pontos do arco surgirem. Então, um, eu realmente não posso falar sobre isso no momento de qualquer maneira e dois, eu prefiro manter essas coisas o mais secretas possíveis – especialmente como um novo personagem na franquia Missão Impossível, é legal manter as pessoas tentando adivinhar, já que eles não sabem o que esperar.”

Ele é mais franco sobre como ele tem lidado com a enorme responsabilidade de seu papel como Superman. O que, como já é de costume, inclui as muitas críticas que têm sido feitas a abordagem que a DC tomou em seus filmes, especialmente com a incrível popularidade que o Universo Marvel faz com sua própria aventura paralelamente. “Mesmo se a Marvel não existisse, nós teríamos passado por problemas. Havia um estilo pelo qual eles [DC] estavam indo, uma tentativa de ser diferente e olhar para as coisas de uma perspectiva ligeiramente diferente, que não funcionou necessariamente. Sim, ganhou dinheiro, mas não foi um sucesso de crítica; Não deu para todos a sensação que os super-heróis deveriam dar ao público.

Entretanto, há esperança para Superman e seus parceiros, e ela vem do enorme sucesso, financeiro e de crítica, do papel de Gal Godot em Mulher Maravilha – o que parece a ele uma nova direção da DC na sua tentativa de competir no que ´talvez o mais lucrativo e abrangente mercado nos cinemas. “Eu acho que é um momento maravilhoso para as heroínas mulheres. É o cenário perfeito na política social no momento, precisamos, queremos essa perspectiva, e a Mulher Maravilha chegou no momento ideal e se tornou um sucesso fenomenal, o que é fantástico. Qualquer sucesso dentro do universo de super-heróis, especialmente no Universo da DC, é incrível, porque eu quero continuar contando a história do Superman; egoisticamente falando, isso funciona para mim.” Sobre o impacto disso dentro do universo DC, ele acrescenta: “Eu sinto que agora os erros corretos foram feitos e eles não foram ignorados, e podemos começar a contar as histórias da forma que elas precisam ser contadas. É ainda melhor voltar de uma falha, ou de um erro de linguagem, para a veia correta, porque ai vai parecer que é muito mais forte. Mulher Maravilha foi o primeiro passo na direção certa.”

Assim como ter que lidar com o estúdio ao lado de Tinseltown, o que inevitavelmente acompanha uma fama como a dele é uma extensiva base de fãs, gentil e apoiadora mas que ás vezes pode ser meio sinistra. Henry tem tido que aprender com isso da melhor maneira, especialmente quando é pra proteger aqueles que ele ama. “Eles dizem que você nunca quer conhecer seus heróis – eu nunca vou querer que isso se aplique a mim. Eu já vi pessoas conheceram seus ídolos e murcharem. Ter fãs é muita coisa junto. Tremendamente lisonjeiro e excitante, é uma dessas coisas que você tem que ser muito cuidadoso para não ficar se achando. Eu amo que meus fãs sejam tão passionais. Eu amo que eles continuamente estão dispostos a cumprimentos.”

Com uma massa de seguidores, há sempre o elemento negativo. “Há obviamente o outro lado nisso também: no momento que eu começo um relacionamento, uma onda de ódio, direcionada a mim e a moça, dizendo que ‘eu mudei’. Eu não mudei uma célula. Mas você tem que levar isso em seu caminho, que há partes positivas e negativas em tudo, mas em última instância é enormemente lisonjeiro ter pessoas que se importam tanto. Enquanto isso não fere ninguém na minha vida, é uma coisa boa. No momento que começa a afetar as pessoas da minha vida, é quando eu me retiro. Eu não quero coisas ruins acontecendo as pessoas da minha vida por um senso de pertencimento que as pessoas acham que tem sobre mim e minha vida. Isso não a vale a pena pra mim, eu amo meu trabalho, eu amo fazer dinheiro, eu amo viajar e jogar com todos os melhores brinquedos do mundo*, e ver o que eu quero ver, mas nada disso valerá a pena se as pessoas que amo e com as quais eu quero dividir a jornada estão sendo feridas e sofrendo por esse meu ganho.”

Sua lealdade com aqueles próximos a ele parece ser a resposta para a solidão, um problema que é desvalorizado na profissão de Cavill. A solidão periepática em um ator pode ser vista como glamorosa, mas cobra seu preço, especialmente para alguém que cresceu numa família forte. Ele diz: “Eu vejo esse grupo de camaradagem com meus irmãos, com Nik e os Royal Marines, ou Charlie e sua família, e eu vejo esse time mentalmente e eu me prendo a isso. Sou realmente feliz na posição que estou porque estou fazendo um bom dinheiro e coisas que amo, e estou indo a lugares insanos, mas a realidade de todas essas coisas que parecem legais em roteiros é que isso se torna solitário, eu tenho Kal agora, e ele mudou a minha vida.”

Projetos extra-curriculares estão no centro daquilo que Cavill vê como a contribuição que ele pode fazer com os frutos do seu sucesso. Ele é, entretanto, interessado em determinar quem ele representa. “Minha integridade importa muito pra mim, você não me vê pedindo as pessoas pra comprarem um produto só porque estão me pagando muito dinheiro.” No lugar disso, ele arrecada dinheiro para caridades que ele realmente se importa, então ele pode colocar sua paixão nelas, mais do que apenas seu poder como famoso.

Seu primeiro, e provavelmente mais pessoal, envolvimento é com os Royal Marines. Como mencionado, seu irmão Nik é tenente-coronel da Marinha, e Henry tem usado seu nome e apoio a Royal Marine Charity. “O principal obejtivo do Charity é provir para marinheiros em ação ou reformados que estejam sofrendo de uma forma ou de outra, seja psicológica ou fisicamente de lesões, ou de TEPT. Ou provir para as famílias dos marinheiros que foram mortos em combate.” Cavill diz que a Marinha teria sido seu chamado caso ele não tivesse começado a atuar: “Tenho muita sorte em ter um irmão na Marinha Real e dessa forma ter uma conexão direta com a vida deles, mas também, pelo fato de eu não ter ingressado na Marinha, eu posso agora ser uma ajuda a eles em mais de uma maneira que eu potencialmente poderia ter auxiliado sem do um marinheiro – homens que precisam de entretenimento enquanto estão de serviço e especialmente para os que podem precisar de ajuda de seus demônios mentais contra os quais estão batalhando, devido a TEPT. Uma coisa que a Royal Marines Charity está incluindo agora é um esquema ao qual eles tem revestido muita verba, onde qualquer um que esteja sofrendo de algo do gênero, pode consultar um psicólogo antes das duas semanas após admitir primeiro “eu tenho um problema”. O que é um cenário terrível. Você na pode deixar alguém sentado lá e esperar, duas semanas podem parecer uma vida.”

Não há nada mais contemporâneo que problemas psicológicos, especialmente com a capacidade que a humanidade tem de falar com o subjetivo. As Forças Armadas tem tido uma parte proativa no tratado do assunto, mas ajuda externa é necessária. Qual é o principal problema? “É triste que não haja verba suficiente, especialmente agora que as forças armadas está longe dos holofotes devido a retirada das tropas do Afeganistão. As pessoas pensam ‘Por que eu daria dinheiro a esses caras, eles não estão em guerra’, mas eles ainda estão sofrendo. A melhor coisa do Royal Marina Charity é que é especificamente para a Marinha Real. O problema que outras caridades têm é que é necessário muito mais fundo para ser distribuídos por todas as forças armadas. Se um marinheiro precisa de uma cadeira de rodas, ele tem a sua cadeira de rodas, ao invés de competir com a Aeronáutica, Exército e a Marinha para conseguir a cadeira de rodas. Ou até se for necessário um elevador em casa para que ele possa dar um beijo de boa noite em seus filhos, pequenas coisas como essas, que nós esquecemos. Uma pessoa que teve as pernas amputadas não consegue subir as escadas para dar boa noite a seus filhos. Ela não pode comprar uma casa nova, não é cheia de dinheiro, então tem que sobreviver com o que ela consegue depois de servir ou com o que o cônjuge recebe: as opções são limitadas, então pequenas coisas como essa fazem uma grande diferença.”

Tanta é a contribuição de Henry que precisou de pouco persuasão para conseguir a atenção do Comandante Geral da Marinha Real, Major General Rob Magowan, C.B.E. que disse ao Rake: “Henry é um comprometido e inabalável apoiador da Royal Marine Charity. Sua fama e abordagem inovadoras para arrecadar fundos mantém a Charity firmemente na consciência pública e enraíza conscientemente de seu importante trabalho com ativos e reformados marinheiros e suas famílias. Em nome do Royal Marines, eu gostaria de agradecer Henry pelo apoio, e espero ansioso pelo seu contínuo engajamento com a Royal Marines Charity.” Cavill também trabalha com o Durrell Wildlife Conservation Trust, ou Zoológico Durrell pra abreviar, na sua terra-nata Jersey. O zoológico tem uma vertente conservacionista e resgata animais raros antes de devolvê-los a natureza – incluindo um morcego nomeado Ben, em homenagem, a ninguém menos, que Ben Affleck. “Eu fico honrado que haja um Ben Affleck morcego voando por aí”, Affleck diz, “Henry faz um ótimo trabalho com o zoológico e em onde puder pelo reino animal, é incrível ver sua paixão e comprometimento.”

Henry diz sobre trabalhar para a Trust (Durrell): “Eu sempre amei animais, eu sempre amei a natureza e eu tenho amado aprender sobre essas criaturas incríveis que vivem em nosso planeta. Achei que se eu fosse me jogar em algum trabalho de caridade, teria que ser sobre algo que eu fosse apaixonado.Todas essas coisas se juntaram e pensei- Zoológico de Jersey – que não é ‘Olha, que animal lindo’, é um zoológico de conservação e eles trazem animais que estão em risco de extinção para esperançosamente a um ponto em que haja excedente para serem liberados novamente na natureza. Ele tem uma missão declarada. Sempre foi o desejo de Gerald Durrell. Mais do que exibi-los, ter uma relação com eles e respeitá-los de um jeito maravilhoso e mágico, o que era único no Gerald”

Então, é claro, há a questão do estilo. Para a inclinação de vestuário, há uma discrepância entre aqueles que no tapete vermelho vestidos com roupas dessa marca ou daquela e os que tem claro entendimento e interesse em ternos e seus benefícios estéticos. Henry se encaixa no último tipo. O cínico pode dizer que ele está ‘jogando verde’ para Bond, ou que ele apenas está canalizando seu Napoleão Solo interno, que ele interpretou no excelente Agente da U.N.C.L.E. de Guy Ritchie. Mas depois de alguns minutos na companhia de Cavill, você sabe que seu interesse em estilo é autêntico – uma mania até. “Eu sempre gostei de ternos, eu gosto de parecer inteligente. Meus pais nos vestiam para ocasiões, e nós tínhamos blazers. Quando você estuda em uma escola pública, você tem que se vestir como se fosse inteligente e tem que gostar disso. Meu gosto pelo estilo demorou um tempo para se desenvolver, porque eu realmente não sabia o que eu queria. Mas assim que eu vesti o meu primeiro terno sob medida, foi ‘Oh, OK, é assim que eu devo parecer’.”

Seu atual alfaiate por escolha é o muito amado Cifoneli. “Eu estava procurando por alguém com algo de britânico clássico em seu estilo, algo atemporal mas que tivesse um quê excitante nele. Algumas vezes isso salta aos olhos, uma representação da minha personalidade. Eu sou bastante tradicionalista e britânico, mas eu também estou fora dos muros e não penso como uma pessoa medíocre. Gosto de melhorar a mim mesmo e constantemente me desafiar, e as pessoas não esperam que eu seja quem sou, e acredito que Cafonelli representa isso. E tem as ombreiras – foi isso que me conquistou”

Lorenzo e Massimo Cifonelli declararam a The Rake: “Henry é uma representação da nova geração particularmente sensível ao trabalho manual e a qualidade autêntica dos produtos e do trabalho. Foi um desafio vestir Henry, já que realmente precisávamos conhecer suas expectativas em propor um visual moderno e sensual que combinasse com seu caráter. Considerando que Henry é bem forte, não queríamos que ele ficasse parecendo muito largo, então tivemos que trabalhar com o peito, e a manga dos ombros da Cifonelli dá uma boa linha afinada. O trespassado em 6×1 do blazer oferece um ótimo delineado graças ao abotoar baixo, o que favorece a silhueta.”

Cavill diz sobre seus novos parceiros de vestuário: “Quando se chega a Cifonelli, é uma coisa de grupo. Eu digo ‘O, eu quero vocês, nós vamos trabalhar juntos, e o que quer que seja que eu queira, vamos trabalhar nisso, e eu amo isso, eu amo esse relacionamento de lealdade, é muito importante para mim, é um dar-e-receber constante.”

Por mais que se aliar a um alfaiate como Cifonelli mostre uma certa acuidade que nem sempre se vê em atores que colocam toda a sua confiança em estilistas, Henry desenvolveu um refinado senso do como ele quer aparentar e o que é necessário para se alcançar isso. Ele não é do tipo que compra roupa pronta apenas pela marca, ele tem padrões mais elevados. “Eu não tenho o típico corpo das roupas de varejo, é difícil pra mim usar qualquer terno antigo. Dá pra notar a diferença, se sente melhor, caminha mais ereto, você se sente mais confiante e todos te tratam diferente. Da mesma forma de quando eu visto o uniforme de Superman no set, as pessoas falam com você diferente porque você é o Superman a seus olhos. Tem pessoas que passam por vocês e dizem “Esse é o Superman” e não “Esse é Henry Cavill, um ator usando o uniforme do Superman’, O mesmo vale para um terno feito sob medida: as pessoas podem não saber o seu nome mas elas querem saber. Pode ser que não consigam identificar exatamente o que parece tão legal, mas elas querem interagir com você de uma forma ou de outra”

Quanto aos detalhes, ele acrescenta: “Tem que ser ajustado mas não apertado, tem que estar confortável. Quando eu estou treinando pesado, eu quero mostrar todos os aspectos que advêm do treino. Gosto de lapelas largas, acentuadas e estou lutando com a ideia de lapelas entalhadas. Uma única fenda para quem tem quadris largos não é uma boa ideia. Eu tenho uma bunda grande, todos os Cavill têm, costas largas, bundas grandes. Tem alguma coisa em uma boa ombreira com lapela larga que parece masculino pra mim, e quando eu visto um terno, quero estar poderoso, quero ser a representação do homem que eu gostaria de ser. Não quero dominar ninguém no ambiente mas possibilitar que eles sejam as melhores versões de si mesmos e eles podem vir a mim se precisarem. Então não é um terno vermelho brilhante, é um perfeitamente talhado terno masculino que as pessoas dirão “Se eu precisar de algo, posso ir até aquele cara e pedir”.

Seu conhecimento sobre roupas coloca um empecilho com seu relacionamento com o Departamento de Figurinos nos filmes, e enquanto “você tem que levar o personagem em consideração” signifique que ele cederá quando for necessário, o designers de figurino não se safarão com qualquer deslize. “O Agente da U.N.C.L.E. 2, se vier a acontecer, o que eu adoraria, eu provavelmente vou trabalhar com o pessoal do figurino e dizer ‘Que tal a gente trabalhar com Cifonelli’ e pegar algumas coisa bem legais que são perfeitas pra mim – eles me conhecem, e alfaiates geralmente têm dificuldades comigo em filmes porque eles dizem que estou sempre mudando de tamanho.”

Arrumando suas coisas, voltando para seu carro, Henry e eu passamos pela Halcyon Gallery na New Bond Street. Na vitrine estava um quadro com uma arte do Superman. Cavill ficou curioso: “Me pergunto quanto isso vale”. Deixando de lado o quão metalinguística foi a piada dele, isso levanta uma questão interessante: quão valioso é o Superman, ou melhor pontuando, o que nós perdemos sem ele? Henry Cavill tem ajudado Superman a transcender sua origem de 1933 como um heroico gibi infantil para se tornar inquestionavelmente o herói que o mundo precisa, exatamente no momento em que precisa seja cultural, política, comercial ou espiritualmente. Notícias correntes faz com que nos sintamos num precipício: crise dos refugiados, fome e abusos dos Direitos Humanos, transtornos políticos e mudanças climáticas. A lei está sendo deixada de lado em muitos casos, e até, bizarramente, a ameaça nuclear está de volta. Os dias são marcados pela crescente ansiedade social sobre o que pode acontecer. Lamentavelmente, nenhum mortal tomou a frente [da luta], deixando-nos com o inevitável fato que precisamos de Henry Cavil – desculpa, Superman – mais do que nunca.

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