Henry Cavill um cavaleiro britânico: Entrevista legendada para o NYTimes

Mais uma entrevista inédita de Henry Cavill! Dessa vez, para o site do New York Times, onde fala de fama, estilo, do sotaque para viver Superman, 007 e como ele é na hora da conquista.

Leia tudo legendado abaixo:


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Londres – Não é todo dia que você faz compras com o Superman.

Eram 10 da manhã de uma ensolarada sexta-feira mês passado, um desses raros dias de outono quando a capital inglesa parece ter trocado de lima com Santa Mônica, Califórnia e quando eu tive a primeira visão de Henry Cavill, o ator britânico que colocou sua marca no Homem de Aço para uma nova geração de cinéfilos.

Com postura militar e braços cruzados, ele estava esperando do lado de fora da Gieves & Hawkes, a loja de roupas que têm vestido cavaleiros britânicos desde [da época de] Rei George III.

Ele é difícil de não notar. Independente da idade, gênero ou orientação sexual, você tem que concordar que esse homem é um achado, 99,99999 por cento ‘pegável’, um super homem. Eu elaborei um artigo hipotético na Variety: “Procura-se Ator. Projeto para Superman ainda sem título. Tem que ser bonito como Ryan Gosling, charmoso como Colin Firth e tão grande quanto qualquer jogador de futebol americano do Dallas Cowboys.”

Ele chegou a Savile Row de sua casa no sofisticado distrito londrino de Kesington para procurar ternos às vésperas da turnê de divulgação de Liga da Justiça, o blockbuster de super heróis que estar por vir estrelando o sr. Cavill ao lado de Bem Affleck como Batman e Gal Gadot como Mulher Maravilha.

Deixando de lado o cacho típico de Superman caindo em sua testa, Sr. Cavill aparentava mais como um protagonista dos romances de época de E.M. Foster, vestindo um blazer Cifonelli azul real, uma confecção elegante de curvas e um distintamente retrô, e distintamente absurdo, bigode.

É para um papel, Missão Impossível 6”, ele diz timidamente, se referindo a seu gigantesco aparador de migalhas. “Faz eu me sentir meio esquisito as vezes. As pessoas pensam que sou algum tipo de louco que quer deixar o bigode crescer e fazer cacho

Mas”, ele acrescenta corajosamente, “Eu também estou brincando com isso agora, deixando ficar um pouco mais longe. Por que diabos não? Quando eu terei outra oportunidade de deixar crescer um bigode encurvado?

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A profundidade do bigode teve intenção de ser um disfarce, isso falhou. Nas semanas recentes, os bigodes parecem ter ficado mais famosos que ele é, inspirando incontáveis tabloides depois do Sr. Affleck se referir a ele como um “bigode de astro pornô” durante as refilmagens de Liga da Justiça.

Então novamente, Sr. Cavill teve um relacionamento difícil com a fama. Por anos, ele foi o rei de Hollywood em “quase lá”. Ele perdeu para Daniel Craig como próximo James Bond, e também para Robert Pattinson tanto em ‘Crepúsculo como “Harry Potter e o Cálice de Fogo”. Apesar de ele vir trabalhando constantemente desde que é adolescente, ele sempre parece receber contas secundárias para seus esforços.

Mas ele vem flertando com a Lista-A de estrelas desde que herdou o papel de Superman no reboot de Zack Snyder em 2013, Homem de Aço, seguido por protagonismo como opositor de Armie Hammer no Agente da U.N.C.L.E. em 2015 e agora com Tom Cruise em sua última investida de Missão Impossível.

Pessoalmente, no entanto, Sr. Cavill se porta muito menos como um herói de ação hollywoodiano e mais como um cavaleiro britânico m seu sentido pré-guerra, um vestígio de uma era em que homens de liderança eram descritos como “arrojados” ou “cortês”, e civilidade significa alguma coisa.

Num menos solene de um dos mais antigos alfaiates de Londres, ele talvez  seja tão bom para os “paps” (pararazzi), como são dizem na Inglaterra, quanto qualquer mulher com sangue e um smatphone e conta no Instagram .

“ Você vai a um bar e está sentado com seus amigos bebendo e você continua tendo essa sensação de que as pessoas estão olhando pra você ou checando seus celulares” ele diz, parando nos corredores. “Você pensa ‘Para com isso, não estão olhando pra você. Talvez seja só meu ego.’ Aí uma pessoa se levanta e diz ‘Posso tirar uma foto, por favor?’ E, do nada, é como se os celulares acordassem. ‘Oba, é hora da foto!’

Ele certamente não foi criado para chamar a atenção para si mesmo.

Filho de um pai corretor de valores e mãe dona de casa, Sr. Cavill cresceu numa família de 5 meninos na ilha de Jersey, um território independente nos arredores da Normandia, e foi educado em Stowe, uma escola britânica de elite.

Sua educação bastante britânica pode explicar porque Sr. Cavill carrega em si uma absoluta ausência do ego das estrelas de Hollywood. Ele escuta diferentemente, até mesmo vendedores e garçons; sorri facilmente, se autoconsciente; e timidamente olha para baixo a qualquer menção a seu visual de garoto-propaganda. É o desajeitado charme britânico familiar a qualquer um que tenha assistido aos filmes de Hugh Grant na década de 1990.

Percorrendo os corredores da Giebes & Hawkes, ele diz que ainda está tentando descobrir como continuar sendo ele mesmo [sendo] uma estrela, ou até se vestindo como uma.

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Eu sempre fui bem inglês clássico, e eu aprecio o corte clássico, e penso ‘Ótimo, bem feito, você achou sua identidade’”, ele diz.  A discrição só vai até o tapete vermelho, entretanto, então nos últimos tempos ele vem experimentando se vestir mais como uma estrela, incluindo o notável blazer desse dia, renderizado num tom de azul que pode ser chamado de elétrico. “Eu penso ‘Vivendo no mundo que você vive, aos olhos do público, em Hollywood, tente ser diferente’”, declara.

Ouvindo-o falar com seu pronunciado “Masterpiece Theatre” sotaque, parece estranho imaginá-lo conseguindo o papel famoso que interpreta, essencialmente, o garoto do interior estadunidense de olhos arregalados (embora com visão de raio-x) que fala num sotaque ianque tão aberto e claro quanto as planícies do Kansas. Você pode agradecer a longas horas com um professor de dialetos por isso.

São coisas como o ‘L’. Meus Ls são pronunciados na [parte da] frente da boca. Para um estadunidense, o L é pronunciado na parte de trás da boca.

Passando embaixo de um quadro com fotos de clientes nobres e reais como Príncipe William, ele para em frente a uma vitrine contendo o uniforme cerimonial vermelho e o elmo com pena de cisne dos guarda-vidas da rainha.

Essa é a razão pela qual gosto da Gieves & Hawkes, porque eles fazem tanto material militar. O militarismo costuma ser uma parte importante da alta sociedade. Você pode ganhar prêmios na Marinha e de repente você se torna um homem saudável, porque se você come quatro batatas-fritas, você está nadando em ouro e joias

Após uma hora olhando ternos (nada foi comprado), Sr. Cavill sugeriu café num lugar que ele conhece há 10 minutos dali.

Descendo pela Mayfair, ele discute o peso do legado do Superman. Muito frequentemente, ele diz, a cultura popular tem entendido errado o Superman, interpretando o  benfeitor em uniforme azul como “mole e talvez um pouco chato”, comparado aos reconhecidamente legais super-heróis, como Batman e Homem de Ferro.

Há muito mais ali. É como um filme sobre tomar a super-pílula. Imagina que você tem a habilidade de fazer absolutamente tudo que quiser. O que escolheria fazer com esse poder? Como você escolheria usar isso? Como exercer isso com os outros? Como você aceita erros? Como você ama?

Nós fizemos uma pausa na frente de uma porta branca sem marcas de um bonito prédio residencial perto de Berkeley Square. A porta se abriu para revelar o Mark’s Club, um conhecido e exclusivo clube privado. “Uma adorável surpresa”, disse uma mulher elegantemente vestida na recepção.

É um prazer ver você”, Sr Cavill respondeu animadamente.

Ele parece não se esforçar pra ser elegante ao sentar-se num sofá ao lado de uma lareira do cômodo, que parece um recanto de algum viscondado com suas pinturas a óleo e cristais chandelier. Eu menciono isso, sentado ali, ele parece mais com James Bons que Superman.

Quando Daniel desistir do manto, nós vamos ver”, diz com um sorriso, adicionando que ele não acharia muito “oneroso”interpretar ambos os personagens, caso a oportunidade apareça. (Ele já é dono do requisitado Aston Martin SBS cinza)

Eu pergunto a ele que outros tipos de pessoas são membros do Mark’s Club.

Honestamente,  não faço ideia”, ele diz, explicando que ele convidou a si mesmo. “É um estabelecimento antigo do gênero. Você não pode apenas pagar para entrar.

Ele estava na dúvida até de que se havia outros atores como membros.

Eu nem sei o que isso significa mais”, ele declara sobre o assunto. Ele diz que se preocuparia com alguém que constantemente pensasse sobre si mesmo como uma estrela.

Eles claramente estão machucados por dentro.”, diz. “Isso é problemático.

Ele certamente nunca esperou ser chama do estrela. Já que, na escola, ele era gordinho; outros garotos o chamavam de “Fat Cavill” (N.T. ‘Cavill Gordo’)

Mesmo que seu estado civil tenha mudado, ele nunca pensou em si mesmo como um ‘Don Juan’ quando estava solteiro. (Ele declinou em tocar no assunto sobre seu relacionamento atual, apesar dos tabloides afirmarem que ele esteja com Lucy Cork, uma dublê de 25 anos)

Quando ele está solteiro, diz ele, “Não consigo fazer aquilo de ‘Olá, pode me dar seu telefone? Legal’, e então ligar pra elas na semana seguinte. Quando eu gosto de alguém, eu gosto de alguém. Não jogo sujo pra conquistar. Não consigo trocar mensagens com  quatro ou cinco mulheres diferente o tempo todo. Não consigo ter a ‘garota de quarta’, e ‘ a garota de segunda, a ‘garota de sexta, a ‘garota dos fins de semanas, a ‘garota do meio dia’.

Pra colocar em termos simples, eu nunca soube “fazer joguinhos”, ele diz. É justo dizer, entretanto, que esses dias se esvaecem rapidamente.


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