Matéria Especial | Superman de Henry Cavill: O Superman na Modernidade

O Superman de Henry Cavill retrata a essência do herói na modernidade

Vendo tantas opiniões e comentários a respeito da diferença das abordagens do Superman – dos cinemas para as telas de TV, ou até mesmo comparado com os primeiros filmes do herói – buscamos alguns pontos importantes sobre a criação e personalidade do kryptoniano mais famoso do universo. Não se trata de uma tentativa de convencimento de qual abordagem é mais coerente ou “fiel” ao script do herói, pois respeitamos todos os pontos de vista, mas não podemos deixar passar alguns esclarecimentos sobre mudanças nas últimas aparições do Homem de Aço, interpretado nos cinemas por Henry Cavill.

O primeiro ponto de conhecimento comum, que não podemos ignorar, é que Superman está no imaginário de exemplo a ser seguido, de inspiração como agente moral e de ícone da cultura pop, desde sua primeira aparição na Action Comics #1, em 1938.

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São 78 anos influenciando mais de uma geração – apaixonada ou não – de leitores, cinéfilos e cidadãos. Segundo Glen Weldon, em seu livro ‘Superman: Uma Biografia Não Autorizada’, o herói não teria durado tanto tempo sem um diferencial. No caso de Superman, algumas características predominam em sua essência: 1-Colocar as necessidades dos outros acima das dele próprio, 2-Nunca desistir, e 3-Inspirar as pessoas com suas atitudes.

Weldon reforça que o universo de Superman nunca foi imutável e continua em constante evolução. Suas roupas, seus inimigos, seus conflitos se adaptam às situações que ele enfrenta no dia a dia de suas aventuras. Para ele, o personagem nasceu “como um fortão de fala dura e punho rápido que não economizava sorrisinhos irônicos e comentários sarcásticos” e enquanto Clark Kent era “uma caricatura menos que lisonjeira das nossas fraquezas, um vislumbre de quanto nós, humanos, devemos parecer fracos para um Homem de Aço”.

Sabemos que estamos falando de um carácter que remota a infância de muitos e isso traz uma nostalgia, um sentimento que temos que manter a lembrança intacta e preservada da maneira como a conhecemos, mas essa forma de agir não consegue “abraçar” o que o Superman representa.

Seus criadores Jerry Siegel e Joe Shuster, foram “moldando” sua personalidade e construindo as qualidades e poderes que conhecemos ao longo do tempo. Então, porque para alguns leitores ou expectadores, ele tem que ser congelado em uma única apresentação?

Quando abordamos o tema através da filosofia, este se estende quase que infinitamente, esbarrando em conceitos como justiça, moralidade e julgamento, entre outros.

No livro ‘Superman e a Filosofia’, de William Irwin e Mark D. White, “a despeito de seus superpoderes, o Super-Homem ainda é confrontado com dilemas éticos e ainda precisa do juízo para resolvê-los. Todavia, para ele, o que está em jogo costuma ser muito mais alto do que o que está para uma pessoa qualquer. O peso das escolhas do Super-Homem é frequentemente similar àquele das escolhas dos líderes mundiais, potencialmente afetando milhões de vidas e o futuro das nações… E mesmo depois de fazer a escolha, a escolha que ele julgou melhor (ou a menos pior), ele ainda sente remorso e arrependimento – não pela escolha que ele fez, mas pelo fato de que as circunstâncias o forçaram a fazer uma escolha”.

Então sobre esse prisma lógico, entende-se porque Superman não pode estar sempre sorrindo. Porque ele não pode ser em tempo integral o escoteiro feliz e brincalhão, como se não existissem conflitos internos e externos que lhe tirassem o sono e a paz.

O Superman representado nos cinemas por Henry Cavill, desde o Homem de Aço (2013), é o mais fiel a esses conflitos e o mais próximo daquele ser que cresceu e vivenciou experiências cotidianas dos cidadãos, para se conectar – de verdade – com este planeta.

Podemos dizer que é um herói com os pés no chão, porque não tenta ser perfeito, mas porque age procurando ser o mais correto dentro do possível.

Não que as representações anteriores tenham retratado o Superman de forma “incorreta”, porém, se analisarmos a apresentação de Clark Kent nos filmes da década de 80, veremos que ele surge como um homem atrapalhado, que usa a insegurança como disfarce, para que jamais possa ser relacionado com o poderoso herói. É uma forma de realçar fraquezas do ser humano em comparação com todos os poderes que Kal-El trouxe de Krypton.

Na atualidade, a apresentação dos cinemas resolveu que não quer retratar Clark desta forma. Que quer focar nos conflitos morais, de como foi a formação de caráter e de como ele sente o peso de todas as decisões que toma em sua vida. É errado? Não. Apenas diferente da corrente anterior.

Retratar Superman, como Henry Cavill vem fazendo, sofrendo por ver seu pai morrer, sentindo-se mal por ter que matar alguém, mesmo quando ele é um vilão, ser incriminado por salvar o amor de sua vida de um atentado, e sacrificando-se para salvar toda a humanidade (ao lado de um homem-morcego que tentou matá-lo com balas de Kryptonita roubada de outro vilão da história), é um trabalho de reconstrução de todos os valores admiráveis desse personagem numa apresentação moderna.

Uma apresentação onde a evolução se fez necessária para ter sentido nos dias de hoje.

Todos nós assumimos ao longo de um mesmo dia vários papéis, e também seus pesos e as responsabilidades deles. Para os professores de filosofia Jason Southworth e Ruth Tallman, Clark “no decorrer do café da manhã com sua esposa Lois ‘veste seu chapéu’ de marido. Depois ele vai ao escritório onde assume diferentes papéis profissionais, incluindo jornalista, colega de trabalho e empregado. Quando ouve que Apocalipse está a solta em Metrópolis, Clark troca tando de roupa como de nome, em um reconhecimente marcadamente concreto de sua mudança de papel. Quando se alia à ‘Liga da Justiça’, o Super-Homem assume o papel de herói companheiro de equipe. Ao que para visitar Martha Kent no jantar, Clark assume o papel de filho, e assim por diante”.

O que o atual Superman de Cavill vem fazendo, é mostrar em sua integridade, os julgamentos e consequências de cada um desses papéis do personagem.

Ele sorri quando está no “papel” para isso, ele sente dor quando o momento o confronta com as devidas circunstâncias, e ele se concentra em agir e tomar a decisão necessária, quando está numa batalha da qual depende a salvação do planeta que ele ama e respeita. Lembrando que nem sempre as atitudes necessárias são as mais agradáveis.

Então assim como o Superman do passado foi coerente com seu tempo, temos uma apresentação diferente, realista e intensa desse herói na modernidade.

Uma apresentação que não vai denegrir sua imagem, e sim mostrar sob um outro prisma, porque a integridade, o bom caráter, a honestidade e o altruísmo do Superman nunca sairão de moda. Por que simplesmente, enquanto nós tivermos valores morais baseados num conceito de justiça e verdade, o Superman será sempre o maior herói de todos os tempos.

“Para o Alto e Avante!”

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