The Witcher | Um pouco de Geralt de Rivia por ele mesmo

Enquanto aguardamos notícias sobre a nova série da Netflix, The Witcher – que tem Henry Cavill como Geralt de Rivia, e está em produção na Hungria -aqueles que ainda não estão ambientados com a trama tem algum tempo para conhecer um pouco do famoso bruxo.

Apesar de ter se transformado também numa famosa franquia dos games, a série é baseada na obra literária The Witcher, de Andrzej Sapkowski, que tem oito títulos publicados e é considerada um marco na literatura polonesa.

“Meu nome é Geralt. Geralt de… Não. Só Geralt. Geralt de lugar nenhum. Sou um bruxo.Meu lar é Kaer Morhen, a Sede dos Bruxos. É de lá que provenho. Kaer Morhen é… era uma espécie de fortaleza. Pouco sobrou dela.

Kaer Morhen… Ali se produziam seres como eu. Não se faz mais isso e lá não vive ninguém. Isto é, ninguém exceto Vasemir. Você pergunta quem é Vasemir? Vasemir é meu pai. Por que me olha com tanto espanto? O que há de estranho nisso? Afinal, todos têm pai, e o meu é Vasemir.E o que importa ele não ser meu pai biológico? Não conheci meus pais biológicos. Não sei se continuam vivos e, no fundo, nem estou interessado em saber.”

No conto ‘A Voz da Razão 4’, do livro O Último Desejo, Geralt faz uma mistura de desabafo e apresentação para Iola, uma sacerdotisa do templo de Melitele.
Ao contar sua história para Iola, Geralt fala sobre seu árduo treinamento para se transformar em um dos mais conhecidos representantes da escola do lobo.

“Sim, Kaer Morhen… Foi ali que passei pela mutação habitual. Primeiro, a Prova das Ervas; depois, as coisas costumeiras: hormônios, infusões, infecções com vírus. E de novo. E mais uma vez. Até atingir o resultado desejado.

Como suportei todas as mutações surpreendentemente bem e fiquei doente por pouco tempo, fui considerado um garoto de extrema resistência e escolhido para certos… experimentos mais complicados. Isso foi pior. Muito pior. Mas, como pode ver, consegui resistir.

Fui o único sobrevivente de todo o grupo que se submeteu aos tais experimentos mais avançados. Desde essa época tenho cabelos brancos. Ausência total do pigmento capilar. Efeito colateral, como se costuma dizer, coisa de pouca monta e que quase nada atrapalha.Depois, ensinaram-me as mais diversas habilidades”.

Geralt também divide com a moça suas motivações e sonhos, logo no início de sua jornada como Caçador de Monstros.

“Por muito tempo. Até o dia em que saí de Kaer Morhen e parti para o mundo. Já possuía meu medalhão; sim, este mesmo. A insígnia da Escola do Lobo. Também tinha as duas espadas, a de prata e a de ferro, além de convicção, entusiasmo, motivação e… fé.

Fé de que seria necessário e útil. Porque diziam que o mundo, Iola, estava cheio de monstros e bestas e que meu papel seria o de defender os que eram ameaçados por tais seres.

Quando parti de Kaer Morhen, sonhava em deparar com meu primeiro monstro. Mal podia esperar para ver-me frente a frente com ele. E o encontrei.

Meu primeiro monstro, Iola, era careca e tinha dentes muito feios e mal conservados.Encontrei-o numa estrada na qual ele, com outros monstros, desertores de um exército qualquer, parara a carroça de um camponês e retirara dela uma menina de uns treze anos ou até menos. Seus companheiros seguravam o pai da garota, enquanto ele arrancava-lhe o vestido e gritava que chegara a hora de ela saber o que era um homem de verdade.

Eu me aproximei, desmontei de meu cavalo e lhe disse que chegara também a hora dele […] Saiba, Iola, que em Kaer Morhen viviam me enfiando na cabeça que eu não deveria me meter em situações desse tipo, que as evitasse a todo custo, que não bancasse um cavaleiro andante nem tivesse a pretensão de substituir os verdadeiros guardiões da lei.

Minha função não deveria ser a de me exibir, mas de executar as tarefas para as quais seria contratado em troca de uma remuneração.E o que fiz? Mal havia percorrido cinquenta milhas do sopé das montanhas, fui me meter em algo que não me dizia respeito. E sabe por quê? Queria que a garota beijasse as mãos de seu salvador enquanto seu pai lhe agradecia de joelhos.

E o que se passou na verdade? O pai fugiu com os desertores e a menina, sobre quem caiu a maior parte do sangue do careca, teve um acesso de vômito e de histeria e desmaiou de pavor quando me aproximei dela.

A partir daquela experiência tenho evitado envolver-me em tais tipos de situação.
Passei a fazer aquilo para o que fui treinado. Logo aprendi como fazê-lo”.

Nesse conto o bruxo desabafa em como é, muitas vezes, tratado com nojo pelas pessoas e como endureceu seu coração. Geralt mostra nuances de sua personalidade e um pouco dos conflitos que enfrenta.

“Cavalgava até as cercas dos vilarejos ou paliçadas das cidades e ficava aguardando. Se as pessoas cuspiam em mim, xingavam-me ou atiravam-me pedras, eu ia embora. No entanto, se alguém vinha a meu encontro e me requisitava um serviço, eu o executava.

Visitava cidades e fortalezas, buscava proclamações afixadas em postes nos cruzamentos das estradas, procurava anúncios: “Precisa-se urgentemente de um bruxo.” […] E também havia seres que viviam exclusivamente para matar, por fome, por prazer, por causa de um desejo doentio de alguém ou por outros motivos: manticoras, serpes, núbilos, zygopteras, quimeras, leshys, vampiros, ghouls, lobisomens, escorpiões gigantes, estriges, tragarças, quiquimoras, wippers. Aí eu os enfrentava com golpes de espada e, depois, via medo e nojo nos olhos dos que me pagavam por tais serviços”

Geralt mostra também um pouco de seu caráter, suas reflexões sobre o que é certo e errado e fala sobre tomada de decisões.

“Erros? É claro que cometi, mas sempre me mantive fiel às regras. Não, não às de um código. Volta e meia usava o código como justificativa. As pessoas apreciam isso. Quem possui um código e se guia por ele é mais respeitado e levado a sério.Não existe código. Nunca foi elaborado um código de bruxos. Simplesmente inventei um, ao qual sempre me mantive fiel…

Bem… nem sempre, porque em certas ocasiões não havia possibilidade de dúvida.Momentos em que tinha de dizer a mim mesmo: “O que tenho a ver com isto? Este assunto não me compete; sou um bruxo.” Situações em que precisava ouvir a voz da razão, dar ouvidos ao que me ditava a experiência, ao que me dizia o instinto, nem que fosse o mais comezinho de todos: o medo.

E eu devia ter ouvido a voz da razão naquela circunstância. Mas não ouvi.Achei que estava escolhendo o mal menor. O mal menor!

Sou Geralt de Rívia, também conhecido como Carniceiro de Blaviken

Uma das histórias mais famosas do bruxo mostra a luta dele em Blaviken, onde sua ação final foi interpretada como selvageria e levou Geralt a reflexão que ele faz nessa conversa com Lola.Mas a batalha em Blaviken é assunto para outra matéria…

Então, conseguiu conhecer um pouco mais de Geralt de Rivia depois dessa leve introdução feita pelo próprio?

Quais as características mais marcantes do bruxo para você?

Nós já estamos ansiosos para ver Henry Cavill nos mostrando esse complexo personagem.

Você pode encontrar o primeiro livro da saga The Witcher: “O Último Desejo”, de Andrzej Sapkowski, nas melhores livrarias.

Deixe seus comentários e continue acompanhando o Kingdom of Rivia para saber tudo sobre Henry Cavill na série The Witcher.

*** Os trechos destacados foram retirados do conto “A Voz da Razão 4”, do livro O Último Desejo, de Andrzej Sapkowski.

TEXTO: Fabiana Franzosi
REVISÃO DE TEXTO: Nalva de Moraes
EDIÇÃO DE IMAGENS: Erica Moura

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